O setor de transporte e turismo no Brasil se prepara para um choque tarifário nos próximos 35 dias. Com o reajuste acumulado do Querosene de Aviação (QAV) pela Petrobras, a projeção é que as passagens aéreas sofram uma alta de até 35% no curto prazo. O movimento deve consolidar uma migração para o transporte rodoviário, que oferece uma estrutura de custos mais resiliente à volatilidade do petróleo.
Segundo Victor Coutinho, CEO do Buszap, plataforma pioneira na venda de passagens rodoviárias 100% via WhatsApp, o impacto no bolso do consumidor será o maior da série histórica recente. "Esse movimento amplia uma distorção que já existia: em muitas rotas, o preço da passagem aérea é proibitivo. Quando o passageiro percebe que pode economizar centenas de reais sem abrir mão da viagem, a decisão muda rapidamente e o rodoviário captura essa demanda", afirma Coutinho.
Para Mário Marques, professor de economia da SKEMA Business School, o fenômeno é uma resposta técnica à elasticidade-preço do setor. “QAV é fortemente atrelado à paridade internacional e ao dólar, o que tende a gerar um repasse relativamente rápido às tarifas aéreas. Já no transporte rodoviário, embora o Diesel S-10 também seja influenciado pelos preços internacionais, o repasse no Brasil nem sempre é integral ou imediato, o que pode suavizar os impactos no curto prazo. Estamos diante de um efeito substituição clássico: o consumidor não deixa de viajar, mas migra para modais de menor custo', explica.
O levantamento de inteligência de mercado do Buszap corrobora essa tese. Com a digitalização da jornada de compra, o ônibus tornou-se o destino do viajante que busca agilidade. "Prevemos um crescimento de 25% na demanda por viagens de ônibus ainda neste trimestre. A busca por alternativas mais acessíveis tende a acelerar a digitalização da compra no modal rodoviário", pontua o CEO.
Comparativo de custos: aéreos vs. rodoviários (próximos 35 dias)
O levantamento simulou os valores para passagens de ida e volta, comparando o aéreo (com a projeção de alta de 35%) e o rodoviário (leito/semi-leito). Em alguns trechos, a economia paga toda a hospedagem do viajante.

Victor ressalta que o diferencial do transporte rodoviário neste cenário é a conveniência. "Diferente do aéreo, onde a tarifa oscila por algoritmos agressivos, no rodoviário conseguimos manter uma previsibilidade de preço, facilitando o acesso de quem precisa se deslocar de última hora sem pagar fortunas".
Metodologia do levantamento
O levantamento do Buszap cruzou dados históricos de reajustes da Petrobras (QAV vs. Diesel S-10), índices de inflação de serviços do IBGE (IPCA) e relatórios de custos operacionais da ANAC e ABEAR. As tarifas aéreas projetadas consideram o preço médio de mercado atual acrescido do repasse direto do combustível e sazonalidade para maio/junho de 2026.