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Brasil precisa dobrar investimento anual para destravar trens regionais, apontam especialistas
Aporte precisa saltar de R$ 8 bilhões para R$ 20 bilhões ao ano; ANPTrilhos e Hitachi apontam que a expansão da malha exige inteligência de dados para garantir eficiência operacional
Por Administrador
Publicado em 25/09/2026 12:00
Mobilidade
Divulgação - Hitachi Mobility Multimodal Solution

O transporte de passageiros sobre trilhos de média e longa distância no Brasil precisa receber mais investimentos nas próximas décadas, em infraestrutura e tecnologia de gestão, para possibilitar a reativação e expansão de trens regionais e intercidades ligando diferentes municípios e estados. É a opinião dos especialistas do setor Ana Patrizia Lira e Mauricio Corte, que têm uma visão positiva sobre a expansão do modal nas próximas décadas. 
“Existe um potencial enorme para a retomada desse serviço, mas é fundamental avançar nos estudos de viabilidade técnica e econômica”, afirma Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). “Precisamos expandir a malha ferroviária existente, criando novas linhas, estendendo as atuais e construindo novas estações.” 
Na década de 1960, o país chegou a transportar quase 90 milhões de passageiros em trens regionais. Atualmente, existem apenas duas linhas regionais, ambas operadas pela Vale, como parte de contratos de transporte de carga, somando cerca de 1 milhão de passageiros por ano. 
Esse panorama agora deve mudar. O Estado de São Paulo outorgou o projeto do Trem Intercidades ligando Campinas à capital em 2024, e mantém outros trechos em estudo. Paralelamente, o Ministério dos Transportes, por meio da Infra S.A., vem conduzindo estudos para mapear a viabilidade de novas rotas pelo país. 
Para isso, é necessário investimento. “O Brasil investe hoje em torno de R$8 bilhões por ano em mobilidade sobre trilhos, mas esse valor precisa alcançar R$20 bilhões anuais para que tenhamos, em alguns anos, um sistema estruturante adequado nos corredores de média e alta capacidade das metrópoles”, diz. Esse apetite existe, segundo Lira, e a movimentação deve acontecer nas próximas décadas. 

Tecnologia e uso de dados 
Para essa transformação de fato revolucionar o transporte público no Brasil, é necessário pensar além do maquinário visível na operação desses trens de larga escala. Tanto para melhorar a operação, quanto para garantir economia e eficiência na gestão, possibilitando maximizar os recursos e reinvestir. 
Quem faz o alerta é Mauricio Corte, vice-presidente de contas estratégicas da Hitachi Mobility Multimodal Solutions na América Latina, empresa referência global em Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) e cujas soluções estão presentes em mais de 300 cidades ao redor do mundo. “É preciso ter sistemas inteligentes de planejamento para administrar ambientes de elevada complexidade, como sistemas ferroviários, metroferroviários e multimodais. Infraestrutura sem inteligência de gestão não entrega todo o seu potencial”, analisa Corte. 
Com o know-how da Hitachi, cujas soluções estão em sistemas de transporte públicos de grandes cidades como São Paulo, Nova Iorque, Milão, Roma, Toronto, Chicago, Miami, Santiago e Doha, Corte coloca como fundamental avaliar quanto é possível economizar, produzir e reinvestir a partir de uma gestão mais inteligente da infraestrutura e dos ativos. “Sem essa camada de inteligência, corremos o risco de construir uma infraestrutura moderna que continuará sendo administrada por processos fragmentados, sistemas isolados e decisões predominantemente reativas”, diz. 
Ana Patrizia, que tem 22 anos de experiência no setor público com foco em regulação e concessão na área de infraestrutura de transportes, corrobora o pensamento. “A tecnologia por trás da digitalização e o uso de sistemas avançados para a coleta de dados em tempo real são indispensáveis na operação metroferroviária”, resume a executiva. 
Segundo ela, esse tipo de tecnologia reflete de maneira direta na experiência do passageiro final. “A precisão dos dados proporciona maior regularidade nas viagens, permite ajustar a oferta de trens conforme a demanda real e resulta na entrega de um serviço com mais pontualidade, qualidade e previsibilidade.” 

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