Encontrar alternativas que tornem a mobilidade mais eficiente, integrada e sustentável é um dos principais desafios urbanos. Nesse contexto, a bicicleta vem ganhando espaço como uma opção complementar de transporte. Com o objetivo de entender como incentivar ainda mais esse comportamento, a capital paulista sediará, em setembro/outubro, o segundo piloto do Programa Bike SP, iniciativa que oferecerá créditos no Bilhete Único para cidadãos que utilizarem a bicicleta em seus deslocamentos diários.
Conduzido por pesquisadores do IME-USP e do FGV Cidades, com apoio da FAPESP, CNPq e Tembici, o projeto busca avaliar, por meio de método científico e dados reais, se incentivos financeiros são capazes de influenciar escolhas de mobilidade e contribuir para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
A proposta é ajudar a responder questões centrais para uma eventual implementação definitiva do programa, como o valor ideal a ser pago por quilômetro pedalado e quais perfis de usuários poderiam ser priorizados pela política pública. O piloto prevê a participação de cerca de duas mil pessoas.
Até 24 de agosto, qualquer pessoa maior de idade, moradora da cidade de São Paulo, que possua celular Android, um Bilhete Único ativo e consiga pedalar, pode se inscrever no piloto pelo site https://survey.ccsl.ime.usp.br/limesurvey/index.php/575526?lang=pt-BR, após a conclusão de um minicurso gratuito e obrigatório sobre segurança no trânsito. Os aprovados para participar do piloto serão informados por e-mail. Atualmente, o projeto está particularmente interessado em atrair pessoas que não usam a bicicleta ou a utilizam com pouca frequência. Moradores das zonas Leste, Sul e Norte também são prioritários.
A partir de julho, os participantes selecionados deverão baixar o aplicativo Bike SP, disponível apenas para celulares Android, e registrar seus deslocamentos entre endereços previamente cadastrados. Em agosto, o experimento começa para valer: até duas viagens por dia poderão gerar créditos no Bilhete Único, que serão creditados diretamente no cartão e validados nas máquinas de recarga física já disponíveis em terminais e estações de transporte público.
“A Secretaria Municipal de Transportes nos procurou para aprimorar a pesquisa sobre o Bike SP. Nossa intenção ao transformá-lo em um projeto-piloto nas ruas foi utilizar o método científico para compreender como o programa e o software associado funcionariam em um ambiente real. Iremos extrair as respostas necessárias a partir da análise do comportamento dos ciclistas”, explica Fabio Kon, professor de Ciência da Computação do IME-USP e coordenador do piloto ao lado de Ciro Biderman, diretor e pesquisador do FGV Cidades.
“O piloto do Bike SP é uma oportunidade única para testar, com base científica, se compensar financeiramente quem pedala pode mudar padrões reais de mobilidade urbana. Nosso objetivo é gerar evidências que ajudem o poder público a tomar decisões mais eficientes e justas, com potencial de aliviar o trânsito, reduzir emissões e gerar economia para o sistema de transporte”, afirma Ciro Biderman, do FGV Cidades.
“Quando existe infraestrutura adequada e incentivos para o uso da bicicleta, mais pessoas passam a considerar esse modal como parte de seus deslocamentos cotidianos, especialmente em combinação com o transporte público. Para a Tembici, o Bike SP representa uma oportunidade de contribuir para a produção de conhecimento sobre mobilidade urbana e apoiar a construção de políticas públicas baseadas em evidências, especialmente em um momento em que as cidades buscam soluções para ampliar as opções de deslocamento e reduzir as emissões do setor de transportes”, afirma Sthefany Simioni, Gerente Executiva Relações Governamentais da Tembici.
O Programa Bike SP foi criado pela Lei Municipal 16.547/2016, que estabeleceu a possibilidade de remunerar ciclistas como forma de estimular a mobilidade ativa e reduzir o uso de transportes motorizados. A política, no entanto, nunca foi regulamentada nem implementada de fato e, até agora, não havia sido testada em larga escala.
A cidade de São Paulo vem ampliando sua malha cicloviária e já conta com a maior rede dedicada aos ciclistas do Brasil, com mais de 770 quilômetros de infraestrutura cicloviária. A meta da capital é quintuplicar o número de ciclistas nas ruas até 2030, conforme previsto no Plano de Ação Climática do Município de São Paulo 2020-2050. O objetivo do piloto é contribuir para que a cidade compreenda quais mecanismos podem acelerar esse processo de transformação.