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Etanol pode colocar Brasil em posição de destaque na descarbonização do transporte marítimo
Almirantes brasileiros presentes na IMO destacam o potencial do biocombustível e a necessidade de avanços regulatórios para ampliar sua utilização na navegação mundial mundial
Por Administrador
Publicado em 28/10/2026 12:09
Ambiente
Reprodução - Minaspetro

O Brasil tem a oportunidade de assumir um papel de protagonismo na descarbonização do transporte marítimo global, aproveitando sua experiência na produção de etanol e a disponibilidade de fontes renováveis de energia. O potencial do biocombustível como alternativa para reduzir as emissões da navegação internacional foi destaque de um Keynote Speech realizado durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo. 
O encontro reuniu o almirante de esquadra José Augusto da Cunha de Menezes, ex-representante permanente do Brasil junto à Organização Marítima Internacional (IMO), e o almirante de esquadra Claudio Mello, atual representante brasileiro na organização, com mediação de Mario Campos Filho, presidente da SIAMIG/Bioenergia Brasil. 
Na avaliação de José Augusto da Cunha de Menezes, o Brasil reúne vantagens competitivas para participar da transição energética do setor marítimo, especialmente por já dominar a produção e a utilização do etanol em larga escala. Segundo ele, o desafio é transformar essa experiência em reconhecimento internacional e ampliar a participação do combustível nas estratégias de redução de emissões da navegação. 
“O Brasil está num momento privilegiado na Revolução Marítima Global. Não precisamos descobrir novas fontes, pois já dominamos o etanol, sendo o segundo maior produtor do mundo e com expertise no seu uso. Nossa maior vitória será provar para o mundo, em foros como a OMI, que somos a opção mais prática, limpa e abundante de transição de transporte marítimo global e sem perdas logísticas”, afirmou. 
O ex-representante brasileiro destacou que a consolidação do etanol como combustível marítimo dependerá de articulações internacionais e do avanço das discussões regulatórias, além da integração entre os diferentes agentes da cadeia produtiva e logística. 
Pela perspectiva das negociações internacionais, Claudio Mello ressaltou que a Organização Marítima Internacional está desenvolvendo metas e regulamentações para reduzir as emissões do transporte marítimo. Nesse cenário, o Brasil precisa defender o reconhecimento das características ambientais de sua matriz energética e criar condições para ampliar a utilização dos biocombustíveis no setor. 
“O desenvolvimento do etanol para navegação consolida o que temos de mais poderoso no Brasil, que é a energia de base renovável e o agronegócio de ponta. Enquanto os Estados Unidos apostam pesado na inovação e na frota circulante, nós do Brasil não dependemos de importar infraestrutura; o etanol nos dá protagonismo. A OMI está desenhando metas e regulamentações e nosso papel é assegurar que a nossa matriz limpa se encaixe sem resistência”, destacou Mello. 
O representante brasileiro também chamou atenção para a importância de uma atuação coordenada entre governo, produtores de biocombustíveis, armadores e operadores portuários. A articulação será necessária para desenvolver as condições de fornecimento, infraestrutura e utilização do etanol na navegação, além de fortalecer a posição brasileira nas negociações internacionais. 
Embora o país já conte com uma indústria consolidada de etanol, sua inserção no mercado marítimo internacional dependerá de avanços regulatórios, adaptações tecnológicas e investimentos ao longo da cadeia. O reconhecimento dessas soluções pela OMI será um dos fatores determinantes para transformar o potencial brasileiro em oportunidades comerciais e ambientais. 

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