A flexibilidade que ajudou a transformar o trabalho por aplicativos em uma alternativa de renda também tem um custo menos visível. Para quase metade dos profissionais, saber quanto será possível ganhar ao longo da jornada ainda depende de uma dose considerável de incerteza. É um cenário que ajuda a explicar por que discussões sobre novos modelos de cobrança e remuneração ganharam importância para motoristas e entregadores.
O levantamento “Entre taxas e previsibilidade: profissionais de aplicativos opinam sobre novos modelos de trabalho”, realizado pelo GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 44,6% dos entrevistados consideram seus ganhos "razoavelmente previsíveis". Outros 30,8% dizem que os rendimentos são pouco previsíveis e 12,8% afirmam não ter nenhuma previsibilidade. Apenas 11,8% classificam a renda como muito previsível.
Os números revelam uma categoria que está longe de enxergar a renda obtida pelos aplicativos como totalmente estável. Somadas as respostas "pouco" e "nada previsível", 43,6% dos profissionais convivem com baixa previsibilidade dos ganhos. Isso significa que, para uma parcela expressiva, trabalhar mais não necessariamente permite antecipar com clareza quanto será possível receber ao final do dia ou do mês.
De acordo com Luiz Gustavo Neves, CEO da plataforma, essa incerteza muda a discussão sobre os modelos adotados pelas plataformas. "Mais do que simplesmente cobrar menos ou mais, diferentes formatos de remuneração podem ser avaliados pela capacidade de oferecer ao profissional uma relação mais clara entre tempo trabalhado, número de chamadas e renda. Para quem depende do aplicativo para pagar despesas recorrentes, previsibilidade pode ter valor quase tão grande quanto o ganho potencial", diz.