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Brasileiros adotam IA no planejamento de viagens, mas ainda resistem a deixar decisões nas mãos da tecnologia, aponta estudo
Oito em cada dez brasileiros pretendem usar inteligência artificial em 2026, mas apenas um terço confia na ferramenta para comprar passagens aéreas
Por Administrador
Publicado em 15/05/2026 12:00
Turismo
Divulgação Booking.com

A inteligência artificial já faz parte da rotina dos viajantes brasileiros e deve se consolidar ainda mais nos próximos anos. Um novo estudo da Booking.com – empresa de reserva de hotéis, aluguel de temporada, voos e outros serviços de turismo – mostra que quase dois terços dos brasileiros (63%) utilizaram ferramentas de IA no planejamento ou durante viagens em 2025. Esse número tende a crescer de forma significativa: oito em cada dez (80%) afirmam que pretendem usar a tecnologia em 2026.
Ainda assim, o uso da IA não é totalmente autônomo. Na prática, a tecnologia vem sendo utilizada principalmente como apoio ao planejamento, enquanto as decisões finais continuam nas mãos dos viajantes.

IA como apoio: da inspiração à decisão
Entre os brasileiros que utilizaram a IA em viagens no último ano, o uso se concentrou nas etapas iniciais da jornada. Cerca de quatro em cada dez (44%) recorreram à IA para sugestões de atividades e recomendações de restaurantes, enquanto 36% utilizaram a ferramenta para preparação da viagem (como listas do que levar na mala e dicas de segurança), e aproximadamente um terço (34%) consultaram a IA para comparar diferentes opções de viagem ou buscar hospedagem. Em contrapartida, menos de dois em cada dez (18%) afirmam ter usado a IA para efetivamente realizar reservas, o que reforça o papel da tecnologia como um suporte, e não como responsável pelas decisões finais.
Os benefícios percebidos por esses viajantes mostram que o valor da IA não está apenas na eficiência, mas também na capacidade de inspirar novas experiências: pouco mais da metade (51%) afirma que a IA os ajudou a descobrir novas ideias de destinos, atividades ou roteiros; 47% destacaram a economia de tempo na pesquisa e no planejamento das férias; e pouco mais de quatro em cada dez citaram a resolução de problemas durante a viagem (42%) e a ajuda para encontrar melhores ofertas ou manter o orçamento (41%). Entre os gêneros, há diferenças sutis: mulheres destacam mais o aspecto de inspiração — com 54% citando geração de ideias, frente a 48% entre os homens — enquanto homens enfatizam a economia, com 45% apontando o benefício financeiro, em comparação a 37% entre as mulheres.

Confiança, barreiras e o papel humano
Ainda assim, a confiança na tecnologia varia de acordo com o tipo de decisão. Entre os viajantes brasileiros, quase metade (46%) se sente confortável em permitir que um assistente de IA faça reservas automaticamente de atividades e passeios, proporção que chega a 43% no caso de restaurantes. Esse nível de confiança diminui, no entanto, conforme o custo e a complexidade aumentam: pouco mais de um terço (37%) confia na IA para escolher hospedagem, e apenas 32% se sentem confortáveis em deixar a ferramenta comprar passagens aéreas.
Essa cautela também se reflete entre os brasileiros que não adotaram a tecnologia no último ano. Nesse grupo, as principais barreiras estão mais ligadas ao comportamento do que à tecnologia em si: 35% preferem recomendações humanas, enquanto um número parecido (34%) diz gostar de planejar viagens por conta própria. Já cerca de um quarto (23%) afirma não saber como usar ferramentas de IA para planejar as férias.

Diferenças geracionais e regionais
Entre os mais jovens, a adoção é mais alta: aproximadamente sete em cada dez viajantes da Geração Z (69%), de 18 a 28 anos, utilizaram IA em viagens em 2025, enquanto entre a Geração X (45 a 60 anos) esse número cai para cerca de metade (51%). Já na intenção futura, os Millennials (entre 29 e 44 anos) lideram, com mais de oito em cada dez (83%) afirmando que pretendem usar IA em 2026. São eles também que se sentem mais confortáveis em deixar a IA reservar automaticamente elementos da viagem, como passagens aéreas (35%), em comparação a 31% da Geração X e 28% da Geração Z.
As diferenças regionais também chamam atenção: no Norte, sete em cada dez viajantes (71%) utilizaram IA no último ano, seguido pelo Nordeste, com 66%. Já nas demais regiões, o índice é de 63% no Centro-Oeste, 61% no Sudeste e 58% no Sul. A intenção de uso segue a mesma tendência, com 85% no Norte e 84% no Nordeste, acima da média nacional, indicando que a adoção da tecnologia no turismo está avançando de forma ampla e descentralizada no país.

*A pesquisa foi realizada com viajantes com 18 anos ou mais, que fizeram ao menos uma viagem de lazer nos últimos 12 meses, que planejam viajar em 2026 e que participam ou são os principais responsáveis pelas decisões de viagem. Ao todo, 32.800 pessoas foram entrevistadas em 34 mercados ao redor do mundo. O levantamento foi realizado em janeiro de 2026.

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