O mercado de automóveis no Brasil deu provas de sua força no primeiro trimestre de 2026, registrando crescimento nas vendas e na produção, apesar de um cenário macroeconômico mais complexo e desafiador. É o que revela a mais recente Análise Setorial do Data OLX Autos, fonte de inteligência de dados da OLX. O estudo mostra que, impulsionado pela demanda interna, o setor viu os números de financiamentos, produção e vendas de veículos 0 km aumentarem, com destaque para o mercado de usados, que também teve resultados positivos.
De acordo com o levantamento, o destaque do período foi o aquecimento do mercado de seminovos e usados, que registrou um aumento de 21,5% nas vendas em março de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, acumulando um total de 14 milhões de unidades comercializadas nos últimos 12 meses. O segmento de veículos novos também demonstrou força com as vendas e a produção acumuladas em 12 meses, atingindo 2,63 milhões de unidades vendidas e 2,53 milhões produzidas, respectivamente.
O bom desempenho ocorre em um ambiente de incertezas. O relatório aponta que o conflito no Oriente Médio elevou a expectativa de inflação global, alterando a trajetória esperada para a taxa de juros básica (Selic) no Brasil, que agora tem projeção de 13% para o final de 2026. "O mercado interno ainda sustenta as vendas de automóveis, inclusive de importados, enquanto o mercado externo enfrenta os reflexos do cenário geopolítico, como a pressão inflacionária e a instabilidade econômica", explica Flávio Passos, Vice-Presidente de Autos do Grupo OLX.
Financiamento e inadimplência em alta
O acesso ao crédito, essencial para o setor, também expandiu. A quantidade de financiamentos de automóveis e comerciais leves cresceu 2,9% no acumulado de 12 meses encerrados em março, impulsionada tanto pelo segmento de novos (+3,6%) quanto pelo de usados (+2,7%).
Contudo, os juros para financiamento a pessoas físicas subiram, atingindo 27,3% em fevereiro de 2026. A análise também acende um alerta para o aumento das taxas de inadimplência, que chegaram a 5,9% para pessoas físicas e 4,5% para pessoas jurídicas no mesmo mês.
Comércio exterior e inflação
No cenário externo, a valorização do real frente ao dólar tornou as exportações de automóveis mais caras, resultando em uma queda de 4,2% no volume de vendas para o exterior nos últimos 12 meses. Por outro lado, as importações subiram 1,4% no primeiro trimestre. A Argentina se manteve como principal destino das exportações brasileiras (61,5%), enquanto a China foi a principal origem dos veículos importados (65,6%).
"O comportamento do consumidor mostra uma clara adaptação ao cenário econômico. A busca por veículos usados, que apresentam preços mais competitivos, é uma resposta direta à conjuntura de juros. Para o resto de 2026, a tendência é que essa inteligência na hora da compra se intensifique, e o mercado de seminovos e usados continue sendo um protagonista fundamental para a saúde e o dinamismo do setor automotivo como um todo", avalia Passos.
”O panorama do primeiro trimestre de 2026 desenha um setor automotivo resiliente, mas que exige atenção. A força do mercado de usados e o bom desempenho da demanda interna são pilares de sustentação, mas o avanço da inadimplência e as condições de crédito mais restritivas surgem como pontos delicados que podem modular o ritmo de crescimento para o restante do ano”, completa.
A análise completa segue no link.