Por Kauê Miraglia*
Os carros elétricos estão no centro das atenções neste momento em países da Europa e América do Norte. Mas será que a realidade de outros continentes é a mesma para o Brasil e América do Sul?
Posso dizer que enquanto outros centros olham, com razão, para este nicho de mercado, por aqui o esforço ainda está em desenvolver soluções tecnológicas para os carros a combustão. Por mais que veículos híbridos e elétricos já sejam vistos nas ruas, a parcela ainda é muito pequena.
A frota brasileira fechou o ano passado com aproximadamente 120 milhões de veículos, sendo mais da metade somente de automóveis. Em quase duas décadas, por exemplo, o número de veículos registrados no país praticamente dobrou. O estudo foi feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) com base no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2023.
A perspectiva atual de produção no Brasil é de três milhões de carros a combustão para cem mil, no máximo, entre híbridos e elétricos. Olhar para as tendências globais e adaptá-las à realidade local é um grande desafio.
Os adesivos para baterias convencionais de carros existem há cerca de 20 anos, com soluções muito semelhantes. Entrar em um mercado já estabilizado só faz sentido se for para oferecer algo diferenciado, e isso foi feito pela Henkel há quase dois anos, com um produto capaz de oferecer menor quantidade aplicada por bateria e temperatura de aplicação mais baixa.
A empresa já oferece soluções completas para o mercado global de híbridos e elétricos e, assim que essa realidade se consolidar no Brasil, os clientes terão acesso às tecnologias mais avançadas do segmento. Estamos trabalhando em parceria com os fabricantes de carros elétricos que estão chegando ao país, garantindo que nossa solução de alta performance também estará disponível no mercado brasileiro.
Nosso portfólio de alto valor agregado cria um ciclo virtuoso, gerando ganhos em todas as etapas do processo. Prova disso é que nossa solução já está presente em mais da metade do mercado nacional.
O carro elétrico está diretamente ligado a mensagens sustentáveis, mas um produto como o adesivo presente nas baterias também proporciona benefícios ao meio ambiente, uma vez que a solução usa menos quantidade de matéria-prima e, consequentemente, menos químicos no processo. O ganho é calculado desde a produção na fábrica, passando pelo transporte - que é menor devido ao uso material - , até a chegada ao destinatário.
Ao final da vida útil da bateria, a reciclagem também entra como uma ação sustentável. A partir do momento em que o produto é desmontado e peças são reutilizadas, quanto menor a quantidade de adesivo, mais fácil a separação da estrutura.
É importante mencionar que as baterias de chumbo ácido estão presentes na cadeia, inclusive, de carros híbridos. Isso aumenta a necessidade de desenvolver produtos que agregam valor sustentável ao mercado automotivo atual.
Enquanto o olhar está, acertadamente, voltado para elétricos e híbridos em outras regiões, o mercado latino ainda desenvolve produtos capazes de ajudar a frota local. Quando os elétricos se consolidarem por aqui, certamente as soluções desenvolvidas em outros países serão utilizadas pelos clientes do Brasil e dos países vizinhos.
Ter um carro elétrico ainda é uma realidade para poucos, mas se observa que a indústria vem trabalhando para mudar o perfil de produtos na busca de soluções mais eficientes e com apelos sustentáveis com mais valor para os clientes e consumidores, foco central da Henkel.
*Kauê Miraglia é Head de Vendas da Henkel focado no mercado automotivo